Sexta-feira, 3 de Abril de 2020

O Sonho

O SONHO
" Pelo Sonho é que vamos,
comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não haja frutos,
Pelo Sonho é que vamos.
 
Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo 
que talvez não teremos.
Basta que a alma demos 
com a mesma alegria,
ao que desconhecemos 
e ao que é do dia-a-dia.
 
Chegamos? Não chegamos?
Partimos. Vamos. Somos."
 
(Sebastião da Gama, poeta)
 

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"Carnation"   (Cravos)

publicado por Adelaide Pereira às 10:32

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Quinta-feira, 2 de Abril de 2020

Nem tudo foi cancelado!

NEM TUDO FOI CANCELADO

O Sol não foi cancelado

As amizades não foram canceladas

O Amor não foi cancelado

Ler não foi cancelado

Ouvir música não foi cancelado

Dançar não foi cancelado

A Esperança não foi cancelada

A imaginação não foi cancelada

(copiado do facebook)

 

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"Hollyhock"   (Malva-rosa)

 

publicado por Adelaide Pereira às 09:01

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Quarta-feira, 1 de Abril de 2020

Futuro!

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"Tulips & Grape Hyacinth"  (Tulipas e Jacintos de uva)

 

"Havemos de ir ao futuro e, no futuro, estará finalmente tudo como dantes"

(poema de Filipa Leal)

 

publicado por Adelaide Pereira às 10:38

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Terça-feira, 31 de Março de 2020

Esperança!

As ruas estão vazias mas o coração está cheio de Esperança!

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"Bleeding Hearts" (Corações sangrando)

 

publicado por Adelaide Pereira às 12:04

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Domingo, 29 de Março de 2020

«Porque sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?»

«Porque sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?» Nesta tarde, Senhor, a tua Palavra atinge e toca-nos a todos. Neste nosso mundo, que Tu amas mais do que nós, avançamos a toda velocidade, sentindo-nos em tudo fortes e capazes.

(Papa Francisco - Oração pela Humanidade - 27/3/2020)

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"Hydrangea, Lily of the Valley, Calla Lily & Orchid"

(Hortência, Lírio do Vale, Lírio de Calla e Orquídea)

publicado por Adelaide Pereira às 12:09

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Sábado, 28 de Março de 2020

A riqueza de estar recolhidos!

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"Pinecones e Acorns"   (Pinhas e Bolotas)

 

«Que encontremos que hay un tesoro en estar encerrados; que asumamos estos días de confinamiento no como una imposición, sino que lo acojamos libremente, como un modo para descubrir nuevos tesoros en nuestro día a día».

Madre Pilar, professora das noviças do Mosteiro de Las Huelgas, «el tesoro de estar encerrados».

 

publicado por Adelaide Pereira às 12:08

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Terça-feira, 17 de Março de 2020

Isolamento social profilático

Este tempo de isolamento social profilático tem sido, apesar de tudo, uma experiência social à distância bastante interessante.

Tenho enviado regularmente, através de mail, atividades para os meus alunos realizarem, atividades da minha disciplina, atividades que recolho dos meus colegas no meu papel de diretora de turma, assim como as informações provenientes da direção da escola.

Alguns pais e encarregados de educação simplesmente ignoram e nem se dão ao trabalho de me responder...

mas...

são vários os encarregados de educação e alunos que diariamente me informam da sua situação de saúde, preocupam-se em saber da minha, enviam trabalhos, colocam questões e enviam beijinhos (virtuais e à distância, claro!).

Há dois anos que sou diretora desta turma e nunca tive um contato social tão intenso e saudável com os encarregados de educação.

Estamos três pessoas em casa há 10 dias, as atividades a realizar não têm faltado e o tempo não tem chegado para tudo o que desejamos fazer.

Eu e o Victor cumprimos o nosso horário em "trabalho remoto" e a Ana vai concorrendo em busca de emprego.

Nos últimos tempos tenho andado muito cansada (sobrecarga de trabalho), pelo que tenho aproveitado para descansar, meditar, ler, manter em dia contactos telefónicos e por mail, corrigir e avaliar os trabalhos dos alunos, preparar as avaliações de 2ºperíodo (que serão realizadas à distância...), fazer limpeza de papelada acumulada, jogar, bordar, fazer crochet, pintar, ...

Acho "estranho e ridiculo", para não lhe chamar algo que ofenda alguém, as pessoas que dizem que não têm e não sabem o que fazer nestes dias, sobretudo os pais que estão "em desespero" por se encontrarem em casa com os filhos, sem ter "como os ocupar"!

Fiquem em casa!

Saiam apenas o estritamente necessário!

Fiquem em casa pela vossa saúde... e pela dos outros!

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publicado por Adelaide Pereira às 10:05

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Domingo, 19 de Janeiro de 2020

Sacos de retalhos ou Taleigos

Nas minhas visitas pelos blogs, aprendi o termo taleigo mas sempre lhes ouvi chamar sacos de retalhos.

A minha mãe e as irmãs, à semelhanças da minha avó e de mulheres de várias gerações anteriores, fizeram dezenas deles.

O grande sonho da minha mãe era ter sido modista e, apesar de nunca ter aprendido pois não havia dinheiro para tirar cursos, era ela que fazia grande parte das roupas para toda a família e vizinhos.

Quando adolescente, começou por desmanchar roupas velhas e fazer moldes com papel de jornal, os quais ia adaptando às medidas de cada um. 

Aproveitava todos os retalhinhos que sobravam das blusas, saias, vestidos, camisas, ... que costurava, e por vezes restos ainda em bom estado de roupas velhas, para fazer sacos de retalhos, aventais, pegas para a cozinha, colchas, tapetes... O forro era geralmente feito com restos de pano cru ou de lençois fora de uso.

As mulheres com menos conhecimentos de costura apenas juntavam os retalhos segundo a sua forma e tamanho, as mais habilidosas faziam verdadeiras obras de arte.

Hoje designamos esta técnica por Patchwork, na altura era apenas aproveitamento de retalhos.

Os sacos de retalhos, sendo de pano, permitiam que os produtos guardados respirassem e, por isso, eram usados para guardar o milho, a farinha, o feijão, ..., por vezes durante meses.

Também serviam para guardar as melhores roupas bordadas e de crochet do enxoval, os trabalhos manuais quando iam para o campo, o lanche e os livros escolares que as crianças levavam para a escola, ...

Numa época em que ainda não existiam sacos de plástico os sacos de retalhos serviam para guardar tudo o que fosse necessário guardar.

Vivemos numa época em que uma das palavras de ordem é reutilizar. Esta é uma forma útil, e que não necessita de grandes conhecimentos de costura, de reutilizar os restos de tecidos e roupas fora de uso.

É também uma forma de reduzirmos, até conseguirmos eliminar de vez, a utilização dos sacos de plástico, grandes inimigos do nosso planeta.

Em casa da minha mãe, que tem atualente 92 anos, encontrei alguns destes sacos, vários ainda por estrear, alguns feitos para o seu enxoval, quando criança e adolescente, Além de serem uma lembrança muito querida, pretendo colocá-los a uso.

Levei alguns destes sacos para mostrar aos meus alunos nas aulas dedicadas ao tema de Educação para a Sustentabilidade.

Ficaram maravilhados!

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publicado por Adelaide Pereira às 10:32

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Sábado, 4 de Janeiro de 2020

Uma Broa

 

" UMA BROA
Um casal com muitos filhos recebeu em sua casa vários amigos.
O Marido foi com um jarro á pipa rodou a chaveta da torneira e o encheu de vinho tinto.
A Esposa colocou na mesa o que tinha, uma Broa, uma Faca e uma Caneca ..... comiam e bebiam, mas a certa altura a Esposa pegou no que restava da Broa e cortando em pequenos pedaços dá a cada filho dizendo
Toma Já Que . Toma Já Que. Toma Já Que. Toma Já Que. Toma Já Que. Toma Já Que. Toma Já Que e assim continuou até ao último filho.
Um dos visitantes questionou a Sra...
Então a Sra deu o mesmo nome a todos os seus filhos e filhas ?
A Sra pausadamente respondeu...
- Já Que não há mais!
Esta história de vida era contada para mim e meus irmãos pelo meu Pai há uns setenta anos.

Na minha Aldeia havia dezenas de fornos onde se cozia a Broa.
Na sede da Aldeia havia um forno comunitário que pertencia à Igreja " Chamado de forno da Poia " porque quem lá ia cozer o Pão pagava uma Poia á Forneira " Poia era um Pão por determinada quantidade de Pães "
Nas Quintas todos tinham um forno e coziam em média uma vez por semana e emprestavam o Pão uns aos outros , uma maneira de terem sempre Pão fresco.
Guardavam um pouco de massa que era o fermento para cozer a próxima fornada e também se trocava o fermento entre os habitantes das Quintas.
Era usual na época ir ao vizinho e pedir emprestado o Nic-Nic " Peneira " e o Emprenhador " Fermento ".
Além da Broa " Pão feito de farinha de Milho com um pouco de mistura de farinha de Centeio " também se cozia de outros cereais que a nossa terra produzia, Trigo, Centeio e Cevada " nao gostava nada de Pão de Cevada " mas quando há fome não há ruim Pão.
Quando se cozia o Pão também se coziam Bolas " umas vezes de Sardinha, outras de Bacalhau e outras com Carne de Porco já com uns dias em Vinho e Alhos ".
Em épocas festivas, Natal, Páscoa e pela festa de Santa Luzia coziam Bolos, Tigelada e assavam as Carnes.

É sempre bom recordar e passar aos mais novos, se eles lerem"

(Silvino Paulino para OLIVEIRA DO HOSPITAL - TERRA DO MEU CORAÇÃO)

(imagem e texto de facebook.com)

 

Este texto trouxe-me à memória lembranças da minha infância...

Na Quinta da Darnela, Travanca de Lagoa, também havia o forno da aldeia. Era usado por todos os habitantes da Quinta. Todas as crianças gostavam de se reunir no forno ou acompanhar quem ia para os campos trabalhar. Assim, enquanto trabalhavam, os adultos tomavam conta das crianças e estas ajudavam um pouco, consoante a sua idade e conhecimento, aprendendo a realizar as várias tarefas, aprendendo valores pessoais e evitando a existência de creches e infantários. Quando, em criança, ia de férias para a Quinta, adorava ir com a minha avó cozer o pão. Ficavamos todos ansiosos que ela terminasse porque, no final, a minha avó rapava os restos de massa da gamela, juntava açucar e fazia bolinhas doces para todas as crianças. Por vezes iamos apanhar amoras ou e partir pinhões que ela também juntava às bolinhas. Cada familia da aldeia, em dias diferentes, cozia a broa, o pão, bolas de chouriço, bacalhau ou sardinha, ... e repartia sempre com as outras familias para que todos tivessem pão fresco. A minha avó colocava num cesto estes produtos e nós, as crianças, iamos de casa em casa fazer a distribuição. Era uma forma simples e prática de ensinar às crianças a importância da solidariedade e da partilha e de desencorajar a inveja e a ganância. Uma aprendizagem que seria muito útil às crianças de hoje. Foi com gestos como este que ganhei o gosto por dar coisas, principalmente feitas por mim, a todos aqueles que me rodeiam.

 

publicado por Adelaide Pereira às 09:51

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Sexta-feira, 6 de Dezembro de 2019

Proud to be a Knitter!

A minha nova camisola em tricot...

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A minha nova caneca "Proud to be a Knitter" ...

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publicado por Adelaide Pereira às 15:29

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Quarta-feira, 4 de Dezembro de 2019

O bem que faz ler um livro, em 7 razões comprovadas pela ciência

O bem que faz ler um livro, em 7 razões comprovadas pela ciência

O bem que faz ler um livro, em 7 razões comprovadas pela ciência
 
De fomentar a inteligência a prolongar a esperança média de vida, a leitura só traz benefícios.

Oprimeiro livro impresso data do séc. XV, mas antes de Cristo já o Homem começara a escrever em folhas de papiro, no Egito. Desde então quase todo o conhecimento ficou gravado em páginas de livros e, nas últimas décadas, as obras publicadas cresceram ainda mais em número, assim como foram surgindo investigações sobre os benefícios da leitura.

Na semana em que a VISÃO vai começar a oferecer um livro por mês com a sua edição imprensa, no âmbito da iniciativa Ler Faz Bem, deixamos-lhe sete benefícios de ler um livro, segundo a ciência.

Alarga o vocabulário

Nenhuma atividade expõe uma pessoa a maior e mais diversificada quantidade de palavras. Mais do que assistir a programas televisivos de conversas, vulgo talk shows, ou infantis, como a “Rua Sésamo”, e mais do que uma conversa de amigos, mesmo que sejam todos licenciados, é a leitura que aporta um vocabulário mais alargado, indica um estudo da Universidade da Califórnia.

Desperta a inteligência

A ciência já mostrou que a genética e a educação são fatores que influenciam a inteligência, sendo que ler é uma das principais fontes de conhecimento. Um estudo de 2014 com crianças, realizado por investigadores da Universidade de Edimburgo, na Escócia, e da King’s College of London, em Inglaterra, concluiu que a evolução das capacidades de leitura “pode resultar em melhorias nas habilidades cognitivas verbais e não verbais”, que “são de vital importância ao longo da vida”. E quanto mais cedo se começar, melhor.

Previne doenças

Correr e ir ao ginásio são atividades físicas na moda porque o exercício fortalece o corpo e promove o bem-estar. Mas, por mais variado que seja o treino, nem todos os músculos são trabalhados. Para garantir que nada fica para trás, ler um livro é um bom remédio: inúmeros estudos indicam que a leitura estimula os “músculos” do cérebro e torna-os mais fortes, podendo atuar como fator preventivo em doenças degenerativas como o Alzheimer. Está também provado que pessoas com profissões intelectualmente mais exigentes têm menor propensão para desenvolver patologias ligadas à deterioração do cérebro.

Reduz o stresse

Nem caminhar, nem ouvir música, nem beber um chá. Nada resultou melhor do que ler um livro para acalmar um coração acelerado, segundo uma pesquisa liderada pelo neuropsicólogo britânico David Lewis, da Universidade de Sussex. Bastaram seis minutos de leitura para os níveis de stresse das pessoas que aceitaram participar diminuírem até 68%, contra um máximo de 61% quando tentaram acalmar através da música. Um chá (54%) ou uma caminhada (42%), outras alternativas avaliadas, mostraram-se menos eficazes.

Promove a empatia

Ainda que um livro seja encarado como uma companhia, ler é em si mesmo um ato solitário. Mas entre os seus benefícios encontra-se também a tendência para causar melhor impressão nos outros. Um estudo de dois investigadores holandeses mostrou que a leitura de narrativas ficcionadas influencia características própria da condição humana como a capacidade de criar empatia. E esse é um trunfo importante em qualquer relação, seja pessoal ou profissional.

Combate o envelhecimento do cérebro

Há uma relação direta entre a atividade cognitiva realizada ao longo dos anos e a perda das capacidades cognitivas associadas ao envelhecimento natural, como a memória, o raciocínio ou a perceção. Quanto maior atenção se dedicar à primeira, por exemplo através da leitura de livros, mais lenta se torna a segunda, concluiu um estudo de 2013 publicado no jornal científico Neurology, da Academia Americana de Neurologia.

Aumenta a esperança média de vida

Mais dois anos. Em rigor, 23 meses. Como a VISÃO deu conta em agosto, um estudo da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, revelou que, em média, é esse o tempo que vivem a mais as pessoas que leem um livro 30 minutos por dia, quando comparadas com as que não o fazem. Os investigadores chegaram a esta conclusão ao fim de 12 anos de estudo, publicado no jornal Social Science and Medicine.

(https://visao.sapo.pt/sociedade/2017-01-09-O-bem-que-faz-ler-um-livro-em7razoes-comprovadas-pela-ciencia/?fbclid=IwAR2TZu27SuiOBsV6sUaVDxLW1HYPyqBmFERId64UnBeKjU15YEIw4sGckw0)

 

Nota:

Este artigo é retirado da Visão. Não é da minha autoria!

Decidi partilhar porque considerei bastante interessante. 

publicado por Adelaide Pereira às 14:41

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Segunda-feira, 12 de Agosto de 2019

Khalil Gibran

 

Vossos filhos não são vossos filhos. 
São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma. 
Vêm através de vós, mas não de vós. 
E embora vivam convosco, não vos pertencem. 
Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos, 
Porque eles têm seus próprios pensamentos. 
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas; 
Pois suas almas moram na mansão do amanhã, 
Que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho. 
Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós, 
Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados. 
Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas. 
O arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a sua força 
Para que suas flechas se projetem, rápidas e para longe. 
Que vosso encurvamento na mão do arqueiro seja vossa alegria: 
Pois assim como ele ama a flecha que voa, 
Ama também o arco que permanece estável.

publicado por Adelaide Pereira às 01:00

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Segunda-feira, 5 de Agosto de 2019

Férias da minha infância!

Uma das peças que mais apreciei no Museu do Brinquedo de Seia, e que já tinha visto há alguns anos numa Fil Artesanato de Lisboa, ...

... uma réplica das carreiras da empresa Júlio dos Santos, Filhos e Ca, que faziam a ligação Carregal do Sal - Oliveira do Hospital.

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Trouxe-me à lembrança as férias da minha infância!

O período correspondente às férias do emprego do meu pai, inicialmente quinze dias anuais que foram aumentando progressivamente ao longo dos anos até atingirem tinta dias, era passado na "terra", uma aldeia de Oliveira do Hospital, local de nascimento da minha mãe, e perto do local de nascimento do meu pai.

Era a visita anual, muito aguardada e desejada, aos avós maternos e paternos, que tive a felicidade de conhecer, e à maioria dos tios e primos.

A viagem era realizada de noite, de comboio, seguindo a linha da Beira Alta, de Santa Apolónia até ao Carregal do Sal.

Recordo bem quando esta viagem demorava cerca de sete horas, em carruagens com bancos de madeira. No Entroncamento tinhamos paragem obrigatória de pelo menos uma hora durante a qual todos os homens, incluindo maquinista e revisor (o chamado "homem do pica"), aproveitavam para ir comer "uma bucha" e beber "um copito". Muitas vezes confiavam demasiado nos normais atrasos em relação aos horários de partida e tinham que correr atrás do comboio, apanhando-o já em movimento acelerado. Na estação do Luso apareciam as vendedoras de água do Luso, vendida em pequenas bilhas de barro porque na altura felizmente ainda não se conheciam as garrafas de plástico,  e na estação de Coimbra as vendedoras de Arrufadas. Estas iguarias eram apregoadas em alta voz para acordar os que dormiam e adquiridas através das janelas das carruagens para não ocasionar mais atrasos na viagem.

O número de bagagens que transportavamos, que todos os anos faziamos os possíveis por diminuir, era inevitavelmente treze! Incluía alguns bens de mercearia que na vila não existiam, roupa e goluseimas para oferecer a todos os elementos da família. Estas pequenas ofertas começavam a ser adquiridas alguns meses antes com algum sacrifício e poupanças do reduzido ordenado mensal do meu pai, único elemento da família que tinha emprego.

Nas estações de comboio, os homens faziam entrar e sair as bagagens e as crianças pelas janelas das carruagens, muitas vezes em andamento; as pessoas atropelavam-se para conseguirem lugar sentado, caso contrário faziam a viagem em pé ou sentados no chão; os adultos aproveitavam para colocar o sono em dia e as crianças passavam o tempo debruçadas na janela ansiando pela chegada às várias estações, pois cada paragem significava que a viagem estava um pouco mais perto do final, pelo que quando chegavamos ao destino levavamos a cara toda suja de fuligem; a partir dos cinco anos pagavamos "meio bilhete", também chamado "bilhete de cão", mas como não era exigido documento comprovativo os pais prolongavam a sua compra o mais possível, no meu caso até aos oito anos, e quando o "homem do pica" passava e perguntava a idade encolhiamo-nos no colo das mães e diziamos inevitavelmente "Faço cinco anos para o mês que vem!" e ele fingia acreditar; as mulheres contavam repetidamente os volumes e as crianças para se assegurarem de que não perdiam nada nem ninguém; as crianças que adormeciam eram colocadas nas prateleiras das bagagens como se se tratasse de confortáveis camas; alguns passageiros trocavam conversas e identidades na esperança de encontrarem ligações familiares ou de locais; e levavamos farnéis que partilhavamos entre todos.

A comodidade dos comboios foi melhorando e o tempo de viagem diminuindo, sendo hoje uma viagem muito agradável e confortável de cerca de três horas.

Quando chegavamos ao Carregal do Sal, geralmente com alguns minutos a horas de atraso em relação ao horário, tinhamos que correr, carregados de bagagens, para apanhar a "chaleira  do Júlio dos Santos", que muitas vezes já ia a caminho.

Como o tempo da viagem de comboio foi reduzindo e a hora da carreira permanecia a mesma, alguns anos mais tarde chegavamos a esperar três horas que esta saisse.

Quando a carreira chegava ao nosso destino, tinhamos a população inteira da quinta à nossa espera para matar saudades e ajudar a levar as bagagens às costas ou à cabeça. A família tinha sido avisada do dia da chegada por carta enviada uns dias antes ou por um telefonema feito para a mercearia da vila, único local onde existia telefone.

Terminado o tempo de férias, a história repetia-se com a viagem em sentido contrário.

O número de volumes aumentava consideravelmente com batatas, feijão, ovos, azeite e outros produtos da agricultura oferecidos pelos familiares e que ajudavam a equilibrar as finanças e a apaziguar as saudade da "terra" durante algum tempo. 

A despedida era feita no meio de lágrimas e promessas de envio de cartas e de regresso no ano seguinte.

Tinha crescido alguns centímetros e estava bronzeada, efeito da liberdade, dos jogos e correrias, do contacto com a natureza e dos banhos no rio, de que na cidade não usufruia; os pés estavam feridos e calejados por ter andado sempre descalça à semelhança das crianças da aldeia; os joelhos e cotovelos encardidos e esfolados; ... mas, sobretudo, muito mais feliz e mais rica de afetos e lembranças!

Seguiam-se cerca de onze meses a sonhar e planear as próximas férias.

Saudades desse tempo em que a felicidade era feita de coisas tão simples! 

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(fotos de Victor Pereira)

 

publicado por Adelaide Pereira às 23:17

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Sexta-feira, 5 de Julho de 2019

Tarefas de férias (?)

Tenho o pressentimento que alguém me anda a espiar!
É este o trabalho que estou a fazer todos os dias desta semana com as minhas colegas de Ciências!
A contar, lavar e arrumar material que está contado, lavado e arrumado!
Alguma alma iluminada batizou esta saga de "Tarefas de férias (?) dos professores"!
Não compreendo porque fazemos isto todos os anos...
Alguém deve pensar que o material durante o ano se reproduz e os novos materiais vão invadir a escola e tomar o poder!!!

(imagem: https://www.facebook.com/professoratxitxa/photos/a.145912106037436/363732027588775/?type=3&theater)

 

publicado por Adelaide Pereira às 08:44

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Sexta-feira, 14 de Junho de 2019

Último dia de aulas!

Último dia de aulas do ano letivo 2018/2019! 
No meio de muitos abracinhos, declarações de melhor professora de sempre e para sempre, juras de amizade incondicional para toda a vida e de rios de lágrimas, todos os meus pestinhas partiram para férias! 
Já começo a sentir saudades! 
Agora vamos à parte burocrática.... 

Viva as férias!!!

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publicado por Adelaide Pereira às 16:40

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